Resenha: Moinhos de Sangue


 Título Original: Moinhos de Sangue
Autora: Ana Cristina Klein
Editora: Dublinense
Número de páginas: 192
Bia Tognazzi é uma linda mulher que pertence a uma família tradicional de Porto Alegre. Exigente, dispensou todos os homens interessados quando era jovem. E, claro, brincou com os sentimentos de muitos outros. Agora, Bia está mais velha e disposta a acabar com a solteirice. Mesmo que, para isso, precise tirar algumas pessoas do caminho.
De um jeitinho bem particular e convidativo, o livro já se inicia com uma crítica direta às mulheres gaúchas: todas loiras e iguais. E é com essa tirada mais adulta e sarcástica, que a Ana Cristina Klein nos leva até Bia Tognazzi, uma mulher sexy, rica e solteira. Aliás, talvez seja esse um dos maiores pontos do livro. Que pelo fato de estar solteira e desejar casar-se com um homem rico, Bia se sente em poder de fazer qualquer coisa.

O livro é bem pequeno e objetivo, além de ser bastante rápido. E eu realmente gostei desta parte. A história foi indo tão leve e fluida que eu quase não vi o final chegar, só viajando na cabeça da Bia mesmo. Que vamos combinar, é uma ótima protagonista! Psicótica, malvada e corajosa. Tem coisa melhor? 

Haha. Respondendo a pergunta anterior: Tem! Minha relação com qualquer personagem de um livro costuma ser bastante complicada. Geralmente adoro os odiados e odeio os adorados. E meio que foi isso que aconteceu. O Ualdisnei (uma bela de uma piada com Walt Disney) é digamos assim o affair secreto da Bia. Secreto porque ele é pobre, e affair porque eles se pegam loucamente, além de terem uma história complicada. Mesmo sendo criticado amplamente pela Bia, e enganado mais de uma vez, Ualdisnei é um dos personagens mais sinceros do livro. O fato dele amar a malvadona e não conseguir tomar certas decisões por isso é tão... real!


O desfecho se dá quando Bia, mesmo tendo seus casos com Ualdisnei, decide arranjar um marido. Por falta de homens disponíveis, decide transformar o melhor casado em solteiro. Como? Simples, matando sua esposa. E a partir daí coisas loucas acontecem. Eu realmente não esperava que ela fosse muito longe, mas Bia se mostrou bem mais psicopata do que eu achei que pudesse. 


O livro é hilário em partes, e de perfeita compreensão ao todo. Tem uma divisão bacana de pontos de vistas, sendo revesados entre Bia e Ualdisnei. Moinhos de Sangue conta e desconta o cotidiano dos bem sucedidos de Porto Alegre, levando em conta os defeitos diversos que até mesmo a melhor classe da pirâmide pode ter, e em como mulheres semi-desesperadas são capazes de agir.  


- Tinha um bando de casados, daqueles como descreveste há pouco, o que me levou à conclusão de que os melhores homens estão casados, e como é baixa a taxa de mortalidade entre mulheres bem casadas na faixa dos 30 aos 45 anos.
- Credo, agora só falta tu me dizeres que andas torcendo para alguém morrer.
- Não, estou pensando mesmo em virar uma "fazedora de viúvos". Hahahaha. - pg32
SCORE: 5 de 5

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